PRODUTORA
Guajuru
Série produzida pela Lume Filmes é uma potente obra cuja o misticismo, religiosidade, tradição e cultura é representada pelo psicológico dos personagens.

G
ujura é uma série destinada ao público juvenil, acompanha a trajetória de cinco jovens de São Luís, de diferentes origens sociais, que têm como ponto de encontro e espaço comum de convivência as cerimônias do Tambor de Crioula, manifestação popular de origem africana.
O auge do ritual do Tambor é a "punga": momento no qual a coreira que está na roda, tocando com o próprio umbigo o umbigo da nova que entra, a saúda . É neste instante que se promove a primeira troca, o primeiro encontro com o novo, o desconhecido. E Punga, a jovem protagonista da série - que recebeu o próprio nome em homenagem ao Tambor de Crioula, cujo padroeiro e santo protetor dos negros, São Benedito, lhe concedeu o nascimento através de uma promessa feita por sua mãe - é uma garota de 20 anos que, na passagem para o mundo adulto, precisa fazer escolhas até então inéditas em sua vida.
Na série, é no Tambor de Crioula do Mestre Amaral, no centro histórico de São Luís, que os protagonistas Punga, Luisa e Benedito, jovens da periferia, estudantes de escolas públicas, têm suas vidas entrelaçadas a Thomás e Felipe, meninos de classe média alta que, apesar de ignorar os problemas financeiros, sofrem com a ausência emocional dos pais ricos. Em comum, todos estão no último ano do ensino médio, prestes a tentar uma vaga na universidade.
O Tambor de Crioula, alçado a patrimônio imaterial da humanidade, compõe o amplo e diversificado legado das tradições culturais de matriz africana no país. A cerimônia, aberta e da qual participam pessoas de diversas classes sociais, é praticada livremente como divertimento ou em devoção a São Benedito. Acontece numa grande roda, onde os homens tocam tambores e outros cantam, e as mulheres, chamadas de dançantes ou coreiras, trocam passos miúdos e rodopiam para um lado e para o outro com suas saias coloridas. No centro do círculo há sempre uma dupla de dançantes que giram ao som dos tambores e das toadas evocadas. Quando uma delas quer ser substituída, vai em direção a uma companheira e aplica-lhe a punga. A que recebe, vai ao centro e dança para cada um dos tocadores, requebrando-se em frente ao tambor grande, ao meião e ao pequeno, e repetindo tudo de novo até procurar uma substituta.
Assim como no Tambor, onde as funções de cada brincante são delimitadas, mas existe uma troca de saberes e afetos motivada pela vontade de dançar, interagir ou homenagear São Benedito, em PUNGA, a série, os personagens, pelo desejo de estarem juntos, adentram os terrenos uns dos outros, flexibilizando os códigos e permitindo a circulação da experiência vivida.
No ritual, a roda vai se formando naturalmente: chegam os tocadores com seus tambores, começam a tocar e, pouco a pouco, chegam também as coreiras, cada qual definindo sua forma individual de dançar que, contudo, respeita a unidade coreográfica do conjunto. Assim, a continuidade da cerimônia depende do coletivo, que promove o curso dos sentidos ligados à questão do ritual e do espetáculo, além da preservação e valorização da memória.
Da mesma maneira se dá a condução narrativa de PUNGA, que parte de um espaço de intersecção para acompanhar os meandros psicológicos e a trajetória individual de personagens que, independente de suas diferentes origens, vão enfrentar condições totalmente adversas justamente no ano do pré vestibular. O enredo base tem como fio condutor o triângulo amoroso formado por Punga, Thomás e Felipe. O pano de fundo da série é o atual momento histórico de ameaça à democracia pelo qual o Brasil está passando, onde um golpe político midiático ameaça o estado democrático de direito. Qual o posicionamento da juventude maranhense diante dos últimos acontecimentos?
Ao fim de cada episódio, antes dos créditos, haverá uma dedicatória aos grandes mestres do Tambor de Crioula do Maranhão, através da apresentação de suas respectivas biografias e da inserção de imagens documentais das diferentes cerimônias.
A vinheta de abertura será feita de desenhos animados inspirados nos personagens reais que compõem o amplo quadro de manifestações do Tambor de Crioula no Estado do Maranhão.
A trilha de abertura será inédita e composta exclusivamente para a série pelo músico maranhense Zeca Baleiro. Já a trilha original de toda a série será composta pelo também renomado músico maranhense Joaquim Santos, autor da grande maioria de trilhas sonoras dos filmes do Maranhão. .
A relevância do projeto começa na própria narrativa que, além de valorizar a memória da cultura regional maranhense e ter como painel o grande momento político pelo qual passa nosso país, é construída com inspiração em histórias reais de jovens maranhenses. A série levantará conflitos decorrentes de posições sociais, ideológicas, políticas e culturais plurais, suscitando temas pertinentes à sociedade contemporânea, como a luta de classes, o choque de gerações, o conflito de gêneros, os distintos posicionamentos políticos (ou a falta de), além de questões relativas ao conservadorismo e à vanguarda.
Colocados progressivamente diante de situações limites, Punga, Luisa, Thomás, Benedito e Felipe terão suas capacidades de superação testadas. Será que eles conseguirão manter o foco e passar no vestibular mesmo diante de uma avalanche de adversidades? Os personagens serão resilientes o suficiente para enfrentar momentos de crise e não sucumbir diante das inúmeras dificuldades?
O tom da série, apesar do drama, é jovem e bem humorado, sem deixar de ser político. Haverá um contrapeso entre as cenas mais densas, que envolvem mais dramaticidade, e a comédia.
