PRODUTORA
Noite Ambulatória
Projeto em desenvolvimento que conta a história de dois irmãos vivendo numa fazenda abandonada durante a ditadura militar.

N
oite Ambulatória é um drama pesado e intimista passado em apenas três dias e três noites, na casa de fazenda da família dos dois personagens, irmãos. O mais novo, Pedro, está sofrendo de uma doença terminal, e ao seu lado, convivendo com ele, está o seu irmão mais
João, que o acompanha nos seus últimos dias de vida. Durante todo o processo do filme, haverá um acerto de contas entre os dois irmãos, e será revelado todos os traumas em que os dois irmão estão envolvidos.
A estrutura do filme é dividida em capítulos, definidos pelos 3 dias em que passa a trama. No primeiro dia (Terça-feira), há a apresentação dos personagens e da situação: durante a noite, há um moribundo Pedro, que deitado na sua cama, sua e necessita de cuidados. Há silencia e escuridão. Ao seu lado, seu irmão, que envolvido em sombras, cuida e lhe dá apoio, mesmo calado. Amanhece. Durante o dia, devido a claridade solar, finalmente parece dois personagens distintos dos que apareceram a noite: os dois andam pela fazenda, passando por riachos, parando para olharem para o horizonte vasto, almoçam juntos na varanda. Mesmo adoentado, parecem viver em outro tempo daquele vivido durante a noite. O público descobre que são irmãos, que são felizes. Parecem duas crianças brincando ao ar livre. Na segunda parte (segundo dia – Quarta-feira), durante a segunda noite, descobrimos o que motivou o distanciamento dos dois em anos anteriores. O jogo cênico são os mesmos durante todas as noites. O personagem do irmão que não está doente, sempre durante a noite, aparece envolvido em sombras, nunca mostrando o rosto. Isso define-o como um personagem misterioso na noite. Apesar de ajudar o irmão nos cuidados, ele está sempre em posição de defesa, de mistério. Enquanto isso o irmão adoentado, aparece bem pior na noite, em termos de saúde. Está a beira da morte. Sua a noite toda. Está sempre na cama, ou encostado na poltrona da sala. Parece estar vendo fantasmas. Existem conversas, mas nada leve, alegre. Isso porque, na resolução do filme, descobrimos que o tempo presente do personagem doente é se dado somente durante a noite no filme. Quando aparece o dia, são recordações e lembranças do personagem adoentado, que espera a companhia do irmão, que não existe mais. Durante o dia da segunda parte, mais uma vez o bucolismo da situação, remete a amizade que os dois irmãos nutrem um com o outro. O amor e o carinho entre os dois é claro e absoluto. Não há o peso da morte e da escuridão. Conversam sobre a vida, arte, família e sonhos. O cenário durante o dia é ensolarado, vivo. Porém chega a terceira parte, e mais uma vez a noite vêm para trazer dor e sofrimento para o personagem que está em cama. E é nessa noite (terceira parte, Quinta-feira) que se descobre que o irmão que está doente está só na noite. Que o irmão que estava cuidando dele é um fantasma na noite. É o desejo do irmão doente em se lembrar do irmão do passado. Ao final da noite, o irmão que aparece como lembrança do irmão doente, o mata com um travesseiro. Na verdade, é um suicídio, devido a lembrança do irmão. Amanhece. É a terceira manhã.
Ao fundo, perto da mata que circula a casa, aparece os dois irmãos, felizes, conversando em baixo de algumas árvores. Entretanto, no primeiro zoon do filme, longo e lento, a câmera se aproxima e vemos o irmão mais novo, o que não está doente, com uma faca na mão. Sorri para o irmão e corta o pescoço. O sangue escorre pelo seu pescoço. O irmão doente o observa e sorri.
O filme terá cerca de 80 minutos, com poucos movimentos de câmera. O desenho de som remeterá ao tempo sensorial dos personagens. Será um filme de arte, com conceito artístico arrojado, que tentará fazer com que o público se envolva com a história através do mistério e das surpresas. Mas também será um filme que trabalhará com sombras, psicológicas e físicas, e que se desenvolverá principalmente no subconsciente do personagem principal. Por isso, será o tempo todo envolvido em uma atmosfera doentia e feita de silêncios, instigando o público a complementar sua história, com inteligência e percepção.
